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DRE de pedreira: como estruturar para enxergar lucro real por produto

Por:
Celio Renosto
Criado em
12.5.26
7
Min de leitura
Atualizado em
May 12, 2026
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DRE de pedreira: como estruturar para enxergar lucro real por produto
A DRE de pedreira precisa ser estruturada por produto — brita 0, brita 1, pó e rachão — não apenas de forma consolidada. Uma margem líquida positiva no consolidado pode esconder um produto com margem negativa subsidiado pelos demais. O rateio correto usa horas de britagem por granulometria e integra os dados do romaneio ao fechamento contábil.

A DRE de uma pedreira precisa ser estruturada por produto — brita 0, brita 1, pó de brita e rachão — e não apenas de forma consolidada. Uma pedreira que vende 4 granulometrias opera com 4 margens diferentes: a mesma receita bruta total pode esconder um produto vendido abaixo do custo há meses. O modelo correto segrega receita líquida, custo do produto vendido e margem de contribuição por tipo de agregado, usando rateio de custos indiretos baseado em horas de britagem ou volume produzido.

Por que a DRE consolidada engana o gestor de pedreira

A DRE consolidada mostra o resultado total da empresa — receita menos custos menos despesas. O problema é que ela não revela qual produto gerou aquele resultado. Uma pedreira com margem líquida de 12% pode ter brita 1 com margem de 22% e pó de brita com margem negativa de -4%, com o primeiro subsidiando o segundo de forma invisível. Sem segregação por produto, o gestor:

  • Precifica o pó de brita abaixo do custo porque “sobra da produção”
  • Concede desconto em brita 0 sem saber que é o produto mais rentável
  • Não identifica qual granulometria priorizar em períodos de alta demanda

Estrutura da DRE setorial para pedreira

A DRE de pedreira deve seguir esta estrutura por produto:

  1. Receita Bruta de Vendas
  2. (-) Deduções: ICMS, PIS/COFINS, devoluções
  3. = Receita Líquida
  4. (-) Custo do Produto Vendido (CPV): mão de obra direta, combustível, manutenção, depreciação, CFEM
  5. = Lucro Bruto | Margem Bruta %
  6. (-) Despesas operacionais rateadas (administração, comercial, financeiro)
  7. = Lucro Operacional | Margem Operacional %

As deduções da receita seguirão a estrutura de transição da Reforma Tributária (Lei Complementar nº 214/2025): ICMS, PIS e COFINS permanecem ativos em 2026 (ano de teste); CBS entra em 2027 substituindo PIS, Cofins e IPI; IBS entra gradualmente entre 2029 e 2033 substituindo ICMS e ISS, com ICMS extinto em 2033. A DRE por produto da pedreira precisa acomodar essa transição sem perder a comparabilidade histórica.

Exemplo numérico: pedreira com 4 produtos

Pedreira com receita mensal total de R$ 420.000, dividida entre quatro granulometrias:

  • Brita 1 — Receita: R$ 180.000 | CPV: R$ 108.000 | Margem bruta: 40%
  • Brita 0 — Receita: R$ 126.000 | CPV: R$ 88.200 | Margem bruta: 30%
  • Rachão — Receita: R$ 75.600 | CPV: R$ 52.920 | Margem bruta: 30%
  • Pó de brita — Receita: R$ 38.400 | CPV: R$ 42.240 | Margem bruta: -10%

No consolidado, a margem bruta total é de 30,3% — número que parece saudável. Mas esconde que o pó de brita opera com margem negativa de -10%, consumindo R$ 3.840 de resultado dos outros produtos a cada mês. Sem a DRE por produto, esse cenário é invisível.

Como ratear os custos indiretos entre produtos

O maior desafio da DRE por produto na pedreira é o rateio dos custos que não são diretamente atribuíveis a uma única granulometria — como energia elétrica do britador, depreciação da peneira e mão de obra do operador de planta. Os critérios mais defensores:

  • Horas de britagem: ratear pelo tempo que a planta dedicou a cada granulometria. O produto que exige mais britagem secundaria absorve mais custo fixo
  • Volume produzido (toneladas): ratear pelo peso de cada produto no volume total. Mais simples, mas menos preciso para produtos com processos diferentes
  • Receita: ratear pelo percentual de cada produto na receita total. Simples de calcular, mas pode distorcer o custo de produtos com menor preço unitário

O critério mais defensivo para pedreira é horas de britagem por etapa, pois reflete o consumo real de capacidade de planta de cada produto.

Como o CRTI ERP estrutura a DRE por produto da pedreira

O CRTI ERP integra as informações de venda, custo e resultado em módulos que geram a DRE por granulometria sem rateio manual:

  • Módulo de Vendas: cada romaneio já identifica a granulometria vendida. A receita é segregada por produto desde a saída da balança, alimentando diretamente o Resultado Econômico
  • Custos e Resultados – Resultado Econômico: apuração diária e mensal do resultado por centro de custo e por produto, com visão de margem bruta e operacional. Disponível em versão sintética por filial e analítica por linha de custo
  • COC – Composição de Custo: detalha cada componente do CPV por produto — mão de obra, combustível, manutenção, CFEM e depreciação — com critério de rateio configurado por etapa de britagem
  • Módulo Fiscal: apuração automática de CFEM por produto com base no faturamento líquido de cada granulometria, integrada ao CPV sem lançamento manual. Também preparado para a transição IBS/CBS conforme cronograma 2026-2033
  • Módulo Contábil: DRE contábil por produto integrada ao plano de contas, com lançamentos de venda, CFEM e tributos gerados automaticamente a partir do romaneio e da nota fiscal
  • Curva ABC de Materiais: identifica os insumos com maior peso no CPV de cada produto, orientando negociações de compra e substituições que impactem a margem

Checklist: a DRE da sua pedreira está estruturada por produto?

  • A receita é segregada por granulometria desde o romaneio, sem necessidade de rateio posterior
  • O CPV inclui CFEM lançado por produto, não como despesa tributária genérica
  • Existem centros de custo separados por etapa de britagem para rateio dos custos indiretos
  • O Resultado Econômico por produto é gerado mensalmente e comparado com a meta de margem
  • A margem do pó de brita e do rachão é calculada separadamente da brita 1 e da brita 0
  • A Composição de Custo (COC) detalha cada linha do CPV por produto
  • A precificação de cada granulometria é revisada com base no Resultado Econômico do mês anterior
  • O plano de contas e a DRE estão preparados para a transição IBS/CBS da Reforma Tributária

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Perguntas Frequentes

O que é a DRE por produto em uma pedreira?

É a demonstração de resultado estruturada separadamente para cada granulometria produzida — brita 0, brita 1, pó de brita, rachão. Em vez de mostrar apenas o lucro total da operação, ela detalha a receita líquida, o CPV e a margem bruta de cada tipo de agregado. Permite identificar quais produtos são rentáveis e quais operam no prejuízo sem aparecer no consolidado.

Como ratear os custos do britador entre os produtos?

O método mais preciso é o rateio por horas de britagem: registra-se o tempo que o equipamento operou para cada granulometria e aloca os custos fixos proporcionalmente. Custos variáveis como combustível e peças de desgaste podem ser alocados diretamente por turno, desde que o controle operacional registre qual produto estava sendo processado no período.

O CFEM entra na DRE como tributo ou como custo do produto?

O correto é lançar o CFEM como componente do CPV, não apenas como despesa tributária. Como a alíquota incide sobre a receita bruta da venda deduzidos os tributos incidentes na comercialização (Lei nº 13.540/2017, Anexo), o valor varia conforme a receita de cada granulometria e deve ser alocado proporcionalmente para não distorcer a margem bruta por produto.

Qual a diferença entre margem bruta e margem operacional na pedreira?

A margem bruta desconta do preço de venda apenas os custos diretos de produção (CPV): mão de obra, combustível, manutenção, depreciação e CFEM. A margem operacional desconta também as despesas indiretas: administração, comercial e financeiro, geralmente rateadas por volume ou receita. A margem bruta por produto é o indicador mais útil para decisões de mix de vendas.

Como o romaneio alimenta a DRE por produto?

O romaneio registra cada carregamento: tonelagem, granulometria, cliente e valor unitário. Quando integrado ao sistema, esses dados alimentam automaticamente o faturamento e o razão contábil, permitindo apurar a receita por produto sem digitação manual. Sem essa integração, o fechamento mensal depende de planilhas propensas a erro, comprometendo a confiabilidade da DRE.